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Eixo Microbioma - Envelhecimento e Rugas da Pele

27 de janeiro de 2026

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ICosmetologia

Eixo Microbioma - Envelhecimento e Rugas da Pele

Sempre que falamos de envelhecimento, logo pensamos em colágeno, elastina e filtro solar, certo? Mas e se eu te disser que existe um "ser" invisível controlando a degradação da nossa pele?


Acabei de ler uma revisão muito interessante publicada no International Journal of Molecular Sciences, que define o "Eixo Microbioma-Envelhecimento-Rugas". O estudo mostra que as bactérias que vivem na nossa pele não são apenas passageiras; elas podem acelerar ou frear o aparecimento das rugas!

Vamos entender o que muda na nossa flora e como podemos intervir? ??


A Disbiose do Envelhecimento

O estudo explica que a pele jovem e a pele envelhecida possuem perfis bacterianos totalmente diferentes.

 

·        Pele Jovem: Rica em Cutibacterium acnes (cepas benéficas) e Lactobacillus. Essas bactérias ajudam a manter a barreira, produzem ácidos graxos de cadeia curta e mantêm o pH ácido.

·        Pele Envelhecida: Com a queda na produção de sebo e hidratação, vemos um aumento de Corynebacterium e Staphylococcus (como o S. aureus).

Essa mudança, chamada de disbiose, cria um ambiente pró-inflamatório que ativa as Metaloproteinases da Matriz (MMPs). E vocês sabem o que as MMPs fazem: elas "quebram" nosso colágeno e elastina!

 

Mecanismo de redução de rugas por meio de probióticos/pós-bióticos. O círculo central representa intervenções com probióticos e pós-bióticos, que podem ser administradas por via oral ou tópica. Os benefícios desses dois incluem o aumento da produção de ácidos graxos de cadeia curta, a modulação dos perfis de citocinas para reduzir a inflamação, a promoção da síntese de ceramidas e da produção de fatores naturais de hidratação, a geração de antioxidantes, a supressão de espécies reativas de oxigênio (ROS), a redução da ativação de metaloproteinases da matriz (MMP) e a preservação de fibroblastos. Juntos, esses mecanismos ajudam a proteger o colágeno e a elastina da degradação e contribuem para uma pele mais saudável e jovem. Adaptada de https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41155313/


O Papel do Sol e do Estresse Oxidativo

O artigo destaca que a radiação UV (especialmente UV-B) e a poluição não agem sozinhas. Elas geram espécies reativas de oxigênio (ROS) que, somadas à disbiose, aumentam drasticamente a expressão de MMP-1 e MMP-9. Resultado? A elastina se torna fragmentada e o colágeno tipo I é degradado, levando à flacidez e rugas profundas.


A Solução: Probióticos e Pós-bióticos

Aqui está o "pulo do gato" para nós formuladores e profissionais da saúde estética. O estudo revisou diversas intervenções e concluiu que modular o microbioma é uma estratégia terapêutica real para rejuvenescer a pele.


1. Via Oral (Probióticos): O uso de Lactobacillus plantarum HY7714 mostrou melhorar a hidratação da pele e reduzir a profundidade das rugas. Ele age reduzindo citocinas inflamatórias e protegendo contra o fotoenvelhecimento.


2. Via Tópica (Pós-bióticos): Não precisamos necessariamente colocar bactérias vivas no creme. O uso de pós-bióticos (como lisados bacterianos e metabólitos) estimula a produção de ceramidas, melhora a barreira cutânea e inibe a atividade das MMPs.


·        Exemplo: O ácido lipoteicoico do L. plantarum inibe a expressão de MMP-1 induzida por UV.

 

Conclusão

Meus amigos, a mensagem de 2025 é clara: tratar o envelhecimento sem olhar para o microbioma é fazer o trabalho pela metade.

O uso de sinbióticos (probióticos + prebióticos) e pós-bióticos em formulações tópicas ou suplementação oral não serve apenas para "hidratar". Eles são ferramentas biológicas para inibir a degradação da matriz extracelular e combater o que chamamos de Inflammaging.

Artigo liberado na íntegra, vale a leitura.


Se você ainda não formulou com foco na microbiota, está na hora de começar!

Um abraço,

Lucas Portilho Farmacêutico e Especialista em Cosmetologia


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