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IPL + Microagulhamento + formulação pós-biótica no melasma

15 de janeiro de 2026

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ICosmetologia

IPL + Microagulhamento + formulação pós-biótica no melasma


Quem acompanha a evolução científica do melasma já entendeu que estamos lidando com uma condição complexa, multifatorial e estrutural.

Reduzir o problema à simples presença de melanina é ignorar inflamação, dano da membrana basal, alteração vascular, disfunção de barreira e, mais recentemente, o papel do microbioma cutâneo.


Um estudo clínico publicado no Journal of Cosmetic Dermatology trouxe dados extremamente relevantes ao avaliar a associação entre luz intensa pulsada (IPL), microagulhamento e uma formulação pós-biótica à base de Lactobacillus fermentation lysate .


Mais do que mostrar resultados, o trabalho ajuda a entender por que protocolos combinados tendem a ser superiores no melasma.

Como o estudo foi desenhado (e por que isso importa)


Trata-se de um ensaio clínico randomizado, simples-cego, conduzido com 30 mulheres, entre 33 e 53 anos, todas com melasma misto e fototipos III e IV.

As participantes foram divididas em dois grupos:

?? Grupo 1 – IPL isolado

·        Tratamentos com IPL a cada 4 semanas

·        Duração total: 12 semanas

?? Grupo 2 – Terapia combinada

·        Alternância entre IPL e microagulhamento a cada 2 semanas

·        Após o microagulhamento, aplicação imediata de uma formulação pós-biótica

·        Duração total: 12 semanas

O microagulhamento foi realizado com agulhas de 0,5 mm, seguido da aplicação de uma loção contendo:

·        Lactobacillus fermentation lysate

·        niacinamida

·        ácido tranexâmico

·        agentes calmantes, hidratantes e reparadores

Ou seja: não estamos falando apenas de “microagulhamento com ativo”, mas de um racional completo de reparo e modulação inflamatória no pós-procedimento.


Como os resultados foram avaliados

Os pesquisadores utilizaram três pilares de avaliação:

1.    mMASI (Modified Melasma Area and Severity Index)Avaliação clínica padronizada de área e intensidade da pigmentação.

2.    Análise objetiva por VISIA (Avaliando fotos de antes e depois)

3.    Satisfação das pacientes e efeitos adversos


O que os resultados mostraram, de forma objetiva

Ambos os grupos apresentaram melhora ao longo das 12 semanas. No entanto, o grupo da terapia combinada apresentou resultados significativamente superiores.

Os principais achados foram:

·        Redução mais intensa e mais rápida do mMASI

·        Melhora superior dos parâmetros de pigmentação avaliados pelo VISIA

·        Redução significativa de inflamação cutânea 

·        Redução de marcadores de dano UV

·        Menor incidência de hiperpigmentação pós-inflamatória

·        Recuperação cutânea mais rápida

·        Mais de 73% das pacientes satisfeitas ou muito satisfeitas

Isso indica que o protocolo combinado não apenas clareou, mas atuou na base fisiopatológica do melasma.


E afinal, o que os cientistas concluíram?


Segundo os pesquisadores, essa estratégia:

·        facilita a degradação e o metabolismo da melanina,

·        promove renovação epidérmica,

·        estimula regeneração de colágeno,

·        reduz inflamação,

·        auxilia na restauração da barreira cutânea,

·        contribui para o equilíbrio do microbioma da pele,

·        e diminui a incidência de efeitos adversos quando comparada ao IPL isolado .

Os autores destacam ainda que o Lactobacillus fermentation lysate exerce papel relevante ao:

·        modular vias inflamatórias e antioxidantes,

·        auxiliar na reparação tecidual,

·        interferir positivamente nos mecanismos de melanogênese.

Em outras palavras: o pós-procedimento deixou de ser coadjuvante e passou a ser parte ativa do tratamento.


O que esse estudo ensina para quem formula e prescreve

Esse trabalho reforça algo que, na prática, já observamos há anos:

Melasma exige estratégia, não monoterapia.

Para o farmacêutico formulador e para o profissional da estética, fica claro que:

·        protocolos combinados entregam mais resultado e menos rebote;

·        ativos pós-bióticos fazem sentido quando bem indicados;

·        reparar a pele é tão importante quanto clarear;

·        controlar inflamação e barreira reduz risco de recidiva.

Não se trata de “moda do microbioma”.Trata-se de fisiologia aplicada ao tratamento do melasma.


Considerações finais

Gostei do estudo, embora ele tenha limitações — amostra pequena, apenas mulheres e curto período de acompanhamento —, mas aponta com clareza para o futuro do manejo do melasma.

Não é sobre escolher entre tecnologia ou cosmético.É sobre integrar tudo com racional científico.

Quem ainda trata melasma apenas como excesso de melanina está olhando para o problema pela metade.

Vale a leitura e está liberado na íntegra.

abraços

Lucas Portilho

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