30 de outubro de 2026
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ICosmetologia
Uma revisão publicada recentemente no Current Medical Research and Opinion discute uma visão importante: a pele pode funcionar como um espelho do que está acontecendo metabolicamente dentro do organismo.
Diante de acne persistente em mulheres adultas, acantose nigricans, múltiplos acrocórdons, aumento de oleosidade, hirsutismo, alterações capilares ou mudanças importantes na qualidade da pele, talvez não devamos olhar somente para a pele.
Doenças Sistêmicas
A revisão mostra a relação das manifestações dermatológicas com doenças como diabetes, alterações da tireoide, síndrome dos ovários policísticos, síndrome de Cushing e acromegalia. Algumas dessas alterações cutâneas podem aparecer antes mesmo do diagnóstico da doença sistêmica.
Sinais Cutâneos
Acantose nigricans — Resistência à insulina
Pele mais espessa e hiperpigmentada, principalmente em pescoço e axilas. Está fortemente relacionada à resistência à insulina e à síndrome metabólica, associação reforçada por uma revisão sistemática recente.
Acrocórdons múltiplos — Marcador metabólico
Estudos associam grande quantidade de acrocórdons a aumento do HOMA-IR, hipertrigliceridemia e maior índice de massa corporal. Uma alteração muitas vezes considerada apenas estética pode carregar informação metabólica.
Acne adulta, hirsutismo e alopecia androgenética — Hiperandrogenismo
Na mulher, podem ser manifestações de hiperandrogenismo e síndrome dos ovários policísticos, em uma interação entre andrógenos, resistência à insulina, unidade pilossebácea e inflamação. Hirsutismo e acantose nigricans merecem atenção especial como possíveis marcadores cutâneos.
| Sinal cutâneo | Possível associação |
| Acantose nigricans | Resistência à insulina e síndrome metabólica |
| Múltiplos acrocórdons | Aumento do HOMA-IR, hipertrigliceridemia e maior IMC |
| Acne adulta persistente | Hiperandrogenismo e SOP |
| Hirsutismo | Hiperandrogenismo e SOP |
| Alopecia androgenética | Hiperandrogenismo e SOP |
Glicação
Os produtos finais de glicação avançada (AGEs) vão se acumulando em proteínas de longa duração, inclusive no colágeno dérmico. Esse acúmulo está relacionado ao estresse glicêmico e oxidativo e pode ser avaliado indiretamente pela autofluorescência da pele.
AGEs
Acumulam no colágeno dérmico e refletem exposição glicêmica de longo prazo
Conclusão
Não significa que vamos diagnosticar diabetes, resistência à insulina, alterações hormonais ou doenças da tireoide simplesmente olhando a pele. Mas determinados sinais dermatológicos podem levantar uma suspeita e indicar que talvez seja necessário investigar o paciente de maneira mais ampla. Para quem trabalha com cosmetologia, dermatologia e estética, essa visão é especialmente importante: nem toda acne é apenas acne, nem toda hiperpigmentação é somente uma alteração de melanogênese e nem toda mudança da qualidade da pele deve ser tratada exclusivamente com um cosmético.
Às vezes estamos tentando corrigir um sinal na superfície enquanto a pele está simplesmente mostrando que existe alguma coisa acontecendo muito mais profundamente.
Lucas Portilho — Farmacêutico, Especialista em Cosmetologia e Mestre em Ciências Médicas.
Fonte: Current Medical Research and Opinion — PubMed
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